Memórias de Uma Mente Insana


10/02/2009


 

Las Listas

 

Últimamente he empezado a hacer listas.

Listas de las pelis que hay que ver; de los libros que quedan por leer; de las tareas que debo cumplir; de los sitios por visitar…

Listas innumerables y confusas. Apuntadas de manera caótica  por todas partes. En cuadernos, agendas, hojas sueltas y pequeños trozos de papel.

Intento creer que algún día me servirán de algo. El día en que tenga fuerzas para poner en práctica cualquiera de ellas. Entretanto, lo único que me apetece es hacerlas. Y con eso voy llenando mis días. Planeando y enumerando… Hasta que se vaya la tormenta.

 

 

As Listas

 

Últimamente comecei a fazer listas.

Listas dos filmes que tenho que ver, dos livros que estão por ler, das tarefas que devo cumprir, dos lugares por visitar…

Listas inumeráveis e confusas. Anotadas de maneira caótica por todas as partes. Em cadernos, agendas, folhas soltas e pequenos pedaços de papel.

Tento acreditar que algum dia me servirão de algo. No dia que tenha forças para por em prática qualquer uma delas. Enquanto isso, o único que quero é fazê-las. E com isso vou preenchendo meus dias. Planejando e enumerando… Até que se acabe a tempestade.

Escrito por Carol Passos às 15h11
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

11/12/2008


Las Cosas que Echo de Menos

 

Echo de menos las puestas del sol, verlo esconderse detrás del mar todas las tardes.

Echo de menos ver el amanecer desde la mesa de mi bar preferido, en medio de copas, risas y amigos.

Echo de menos las charlas borracho-transcendentales que atravesaban la noche, siempre en la misma habitación pequeña y oscura, abarrotada de libros, comics y discos.

Echo de menos los rincones de mi ciudad, las callejuelas del centro, las plazas, los bares con sus mesas dispuestas por la calzada.

Echo de menos los colores y los sabores de un pueblo de piel negra, que tiene el ritmo impregnado en su habla y en su caminar.

Echo de menos estar bajo la protección de los orixás.

Echo de menos los conciertos al aire libre, la bohemia y la musicalidad presentes siempre en mi vida cotidiana.

A todo eso echo de menos, pero, aunque el dolor muchas veces me haya parecido intolerable, he podido soportarlo.

Hasta ahora... pues desde que me persiguen los recuerdos de esa mirada verde, que se me atravesó por el camino ahogándome en su inmensidad, ya no estoy tan segura de poder hacerlo.

 


Escrito por Carol Passos às 16h10
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

21/06/2007


EM HOMENAGEM AO MÊS DOS NAMORADOS...


OLHOS NOS OLHOS
 
 
Olhos verdes que piscam e tentam se desviar, envergonhados, enquanto os castanhos insistem em sustentar o olhar fixo, luminoso e desesperançado, porém desafiador. Dentro do olhar a pergunta, que o verde profundo não quer escutar: porque?
Inutil perguntar com palavras, os olhos dizem tudo. Refletem a covardia de ume a mágoa do outro.
Agora os castanhos tambem piscam, não para fugir, mas para segurar uma lágrima teimosa. A lágrima que significa a derrota, mais uma, entre tantas.
Continuam neste jogo de esconde-esconde por alguns minutos, até que a escuridão se toma maior dentro dos olhos castanhos. Eles sabem a hora certa de sair de cena, afinal, esta não é a primeira vez. Não valeria a pena perseguir o outro par, que já vai longe, buscando outras viagens.
Depois da mágoa, os olhos chispam, saltando farpas negras que acompanham palavras cortantes. Vencidos, os grandes olhos castanhos já não suplicam, não e do seu feitio se humilhar. Após a dor, a revanche, a sua ânsia é ferir, fazer com que os olhos verdes se tornem turvos também, transformar o lago plácido num mar revolto. Enfim, acabar com a piedade e o constrangimento estampados no benevolente olhar esverdeado. Surpresos, os olhos verdes sentem todo o ódio e rancor que lhes são lançados. Não importa qual a cor dos olhos, eles sempre se surpreendem com essa reação, típica dos animais acuados.
Os dois olhares, finalmente, se encontram, firmes, mas já e tarde. Estão cegos, sequer enxergam um ao outro, olham apenas para dentro de si mesmos. E nesse momento que o verde recua. Já não se vislumbra compaixão naquele olhar, que não guarda mais nada da sua irritante nobreza. São olhos desnorteados que se afastam sem titubear, deixando para trás dois escuros abismos de solidao, de onde ecoa ainda a mesma pergunta, fraca, mas persistente: porque?
 
Carolina Passos

Escrito por Carol Passos às 10h16
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

30/01/2007


Desventuras em série - Capítulo II

Entrando Numa Fria

 

 

Coloco a cabeça para fora dos cobertores, que frio! Ainda está tudo muito escuro para enxergar os ponteiros do meu relógio, que horas devem ser? Tenho que conseguir alcançar o celular sem me mover muito... pronto! Aqui está... dez horas. Deveria me levantar agora, afinal já estou há 15 dias em salamanca e tenho muito o que fazer: comprovante de matrícula, conta em banco, d.n.i, empadronamiento, tudo continuamente adiado. Coragem para a luta! Vamos levantar. 1, 2, 3 e... já! Levante os cobertores!!! Vamos corpo, obedeça as ordens do meu cérebro! Inútil...

Bom, acho que vou ficar mais um pouquinho aqui, só mais uma horinha, se me levanto às onze ainda dá tempo de resolver alguma coisa...

E novamente, depois de uma luta titânica entre a minha força de vontade e o frio (na qual sempre vence o segundo) acabo por me levantar às duas quando, de acordo com o incrível estilo de vida espanhol, já não posso fazer mais nada que dependa de bancos ou de órgãos públicos (queria ser funcionária pública na Espanha!!!), ou seja. Outro dia perdido!!!

Como as pessoas podem viver assim??? Com esse frio que congela até os ossos! E o pior, dentro de nossa própria casa?! Vocês não tem noção do que é ser obrigada a andar o dia inteiro parecendo uma esquimó dentro de casa. Ter medo de colocar a cabeça pra fora dos cobertores e perder com isso preciosas horas até se decidir por despertar...

Pois é amigos, tudo que é bom dura pouco, pouquíssimo!!!! Meu simpático apartamento em Salamanca, com meus simpáticos companheiros de piso começa a transformar-se em um pesadelo gelado. Literalmente, entrei numa fria! Por falta de opção e de coragem de mover-nos passamos quase todo o dia jogando cartas ao redor da mesa, único lugar quente da casa graças a uma estufa que se encontra estrategicamente posta embaixo! A estas alturas vocês já devem ter percebido que não temos calefação. Ou melhor, temos uns aparatos por aqui que chamam de calefação, mas que não nos servem de nada, a não ser que optemos por gastar uma pequena fortuna todo mês em gás butano! Oh! Não tenho palavras para descrever como têm sido emocionantes e agitados esses meus primeiros dias em Salamanca!

E para completar, ainda não temos o ultimo companheiro necessário para formar o nosso quarteto fantástico, sem o qual provavelmente seremos despejados por falta de pagamento...! Assim, empenhados em nossa missão de encontrar mais um felizardo para compartilhar o frio conosco, unimos nossas forças, colocamos as nossas melhores roupas (todas as mais quentes que temos) e pusemos nossas lindas caras na rua para distribuir o máximo de cartazes possível. E voltamos correndo para o aconchegante calor da estufa!

Depois de alguns dias de espera, um pedreiro de quarenta anos que ainda mora com os pais, um rastafari que tinha um cachorro e uma garota que já tinha apartamento mas nos chamou porque “queria fazer amigos” eis que aparece Jesus, o nosso salvador!

Devo dizer que Jesus se parece muito com o do cinema (que me perdoem todas as teorias que acusam os filmes bíblicos de recistas). Para mim, ele surgiu na pele de um bonito garoto loiro, olhos azuis, 22 anos, falante e amigável! Devo admitir que um pouco mais baixo e com cabelos curtos, mas ninguém é perfeito não é mesmo?

Após a milagrosa aparição de Jesus, que se instalou no menor quarto da casa, dando o bom exemplo de abnegação e humildade (vamos ignorar o detalhe de que era o único quarto vago...), só me restavam dois desafios: vencer o frio e encontrar um emprego, qual dos dois eu conseguiria resolver primeiro? Descobriremos no próximo capítulo!

 

 

Escrito por Carol Passos às 09h44
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

10/01/2007


Desventuras em Série
Capítulo I - Vida de Sem-Teto

Depois de um longo recesso e, atendendo a pedidos (pois é, Luis Carlos, tem gente que sente falta de mim!), volto a escrever para meus queridos leitores trazendo notícias do além-mar. Seguindo os passos do meu amigo Xavier (para quem não o conhece, recomendo que assista “Albergue Espanhol”) parti para a Espanha de mala e cuia e, como boa cinéfila que sou procurei ser o mais fiel possível ao meu modelo cinematográfico.
Depois de uma experiência relaxante e terapêutica como alberguista na Praia de Boa Viagem em Recife, aportei em terras européias com uns 50 kg de bagagem, que incluíam apenas umas três ou quatro palavras em espanhol (confiante, todavia, no meu portunhol nível advanced!)., e sem ter a menor noção de onde iria ficar.
Ainda na parte boa da viagem bordejei um pouco pela bela capital lusitana com direito a conhecer a sedutora vida noturna da cidade (amantes do Rio Vermelho, venham conhecer o Bairro Alto!), sem saber os perigos que me aguardavam...
Madrid foi meu primeiro teste de sobrevivência. Sem saber para onde ir com três malas a tiracolo (é claro que em Lisboa as deixei no bagageiro do aeroporto...), consegui arranjar um cantinho no apartamento da filha do amigo da irmã de minha mãe (conseguiram acompanhar a sequencia?), mas como alegria de pobre dura pouco, minha anfitriã, a despeito de sua gentileza e amabilidade, deixou bem claro que minha estadia seria de curta temporada, pois dividia o apartamento com outa amiga, o espaço era pequeno demais para as três, etc. etc. etc...
Com minhas ilusões de fazer turismo em Madrid reduzidas a pó (Ah! Se eu escutasse o que me dizia Cartola), levantei, sacudi a poeira e acionei meus contatos imediatos de 3º grau. Desta vez, para Salamanca, encontrei abrigo na casa de uma amiga de um amigo meu (Salve Sr. Dudoncio!), no entanto também não poderia ser por muito tempo (mas guardem o nome Renata, ela ainda vai entrar pro elenco principal da série). Assim, meu primeiro dia em Salamnca pode se resumir como uma busca frenética por um apartamento pra chamar de meu!!!!
E não é que em apenas um dia de busca, consegui achar um apartamento (aparentemente) aprazível e com um preço razoável? Foi assim que na velocidade da luz, já estava de mudança com meus panos de bunda para o piso de 4 quartos, na Calle Alava, que passei a dividir com uma simpática pareja hispano-polaca.
Mas como nem tudo que reluz é ouro e nem sempre tem um tesouro por onde a gente vai, problemas ocultos começaram a ser desvendados neste novo lar (recordam do que eu disse sobre “aparentemente” aprazível?), mas isto é assunto do próximo capítulo, com participação especial de Jesus, não percam!

Escrito por Carol Passos às 21h59
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

16/09/2006


E AÍ? FOI PRA LENÇÓIS? ou QUEM PODE, PODE, QUEM NÃO PODE... DANÇA!


E aí? Vocês foram? Pois é, nem eu, caros leitores. Após tanta expectativa em torno do Festival de Inverno me deixei ficar por estas plagas mesmo, ou melhor, a minha grana (ou a falta dela) me obrigaram a ficar.
Mas nem tudo é frustração e sofrimento. Não fui para Lençóis mas consegui dançar em Salvador (calma, não se animem, ainda não foi a tão procurada dance music) e trago novidades!!! Talvez por isto mesmo a vida tenha tomado este caminho alternativo, justamente para que eu pudesse enriquecer meus leitores com novas sugestões musicais (perdoem o Carolcentrismo...).
Bom, deixemos de lero-lero e vamos partir para o que vos interessa. Já sei que os meus leitores mais ranzinzas e supostamente entendedores de música vão protestar dizendo que eu não trago nada de novo, que essa banda já existe há milênios e só eu que não sabia, que sou desinformada, blá, blá, blá...mas como esse é um espaço democrático e considerando também todas as pessoas que, como eu, não têm um conhecimento tão vasto do cenário musical brasileiro, lá vai a dica: Móveis Coloniais de Acaju (
www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br).
Escutei a banda na Zauber, durante o feriado, num show que contou ainda com a participação de Zacarias Nepomuceno (PB) e Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta (BA). Devo dizer que não me empolgou muito não a tal de Zacarias (por favor, fãs do Zacarias Nepomuceno de todo o mundo, não me apedrejem!!!), já Ronei Jorge, acho que é até meio repetitivo elogiar né?! As músicas têm uma batida forte, mas melancólica, as letras são ótimas e Ronei interpreta de um jeito descontrolado que eu adoro.
Mas voltemos aos Móveis, ao todo são dez, André Gonzalez (voz), BC (guitarra), Beto Mejía (flauta transversal), Eduardo Borém (gaita cromática, escaleta e teclados), Esdras Nogueira (sax barítono), Fabio Pedroza (Baixo), Leonardo Bursztyn (guitarra), Paulo Rogerio (sax tenor), Renato Rojas (bateria) e Xande Bursztyn (trombone).
O vocal era um espetáculo a parte, altíssimo, com uma cabeleira black power, uma voz grave e poderosa e uma performance totalmente insana. Aliás, a insanidade foi o que eu mas gostei na banda, das letras aos arranjos (que misturam vários estilos, do rock ao ska até ritmos do leste europeu, que fazem lembrar uma grande festa búlgara) tudo beira o nonsense.
E toda essa loucura resultava em uma música de muito boa qualidade, super-empolgante. Foi um show do tipo que levanta até defunto. No final, estávamos exautos mas felizes, contagiados pela alegria e boa música dos rapazes e, enfim, não me senti tão frustrada por não ter ido para Lençóis.


*** Dica dada, aí vai um link para quem quiser baixar o último CD dessa turma:
http://rapidshare.de/files/21584236/MCA.rar.html

Escrito por Carol Passos às 10h35
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

30/08/2006


SUPER-FRACASSADOS
A Vingança


Atendendo a pedidos, não esperarei o Festival de Inverno de Lençóis chegar para uma nova postagem, até porque a viagem pra lá tem se transformado num sonho cada vez mais distante, a crise econômica está me pegando de jeito. E por falar na minha situação de penúria, resolvi escrever um pouco sobre a nossa situação (sim, estou falando com você mesmo!!!) de pré-trintões que ainda não tomaram um rumo na vida.
Isto porque ontem tive a feliz descoberta (embora já desconfiasse um pouco disso) que essa incômoda situação de se sentir como alguém que ficou parado à beira do caminho ou que, de repente, não mais que de repente, pegou a direção errada em alguma encruzilhada e agora não acha o caminho de volta, acomete a muito mais pessoas do que se imagina, prova disso são estas duas comunidades hilariantes que um amigo me mostrou no orkut ontem: Eu Tive um Futuro Promissor (
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=1059255) e Fracassei Miseravelmente (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=2281193). Os números de membros - 2.087 e 174, respectivamente - me encheram de uma coragem e entusiasmo novos, não me sinto mais desintegrada da sociedade, tenho milhares de irmãs e irmãos fracassados como eu para me reconfortar.
Por isso, para você, que mesmo passando dos 25 “ainda escreve ‘estudante’ no campo de Ocupação nas fichas de registro, ou de vez em quando segue em longas viagens pelo mundo (ou pelo Brasil) pra ‘reavaliar suas opções’” (muito apropriado, é justamente o que estou prestes á fazer) e vivem com a grana curta, tendo que, às vezes – humilhação das humilhações – pedir aquela complementação do orçamento para os pais, não se desesperem!!! Há muita gente do seu lado, não dizem que essa coisa de sair mais tarde de casa é uma tendência da nossa geração (tenho certeza que já vi alguma pesquisa que demonstra isso)?
Então, não nos apressemos, tudo a seu tempo. Não é porque não temos um emprego estável e de alta rentabilidade, ou porque ainda nos divertimos no bar da esquina com nossos amigos e contamos o dinheiro para saber quantas cervejas podemos tomar, ou porque só vamos ao cinema no meio da semana que é mais barato (e ainda precisamos de carteiras de estudante!) que devemos nos envergonhar. Tudo bem, fracassamos sim, aquele futuro promissor já desceu pelo ralo há muito tempo (embora a gente insista em pensar que somos jovens e que a nossa hora ainda vai chegar) mas vejam só, somos cada vez mais numerosos e estamos criando um novo padrão de comportamento para as novas gerações.
Daqui a alguns anos ser fracassado será super cool, hype, ou qualquer adjetivo que vocês preferirem, teremos orgulho de nosso status de pré-trintões perdidos, assumiremos nosso fracasso como uma griffe, uma mostra de nosso vanguardismo, provaremos que nosso estilo de vida pé-rapado é o que há de melhor, ergueremos nossa bandeira com orgulho.
Almofadinhas bem-sucedidos tremei, o futuro é dos fracassados!!!!


Escrito por Carol Passos às 21h15
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/08/2006


ALGUÉM AÍ FOI PRA GARANHUNS???


Oi amigos, quebrando o jejum de duas semanas, aqui estou eu, de volta ao mundo virtual!!! Não sei se chegaram a sentir minha falta, mas eu fiquei morrendo de saudades de todos, até mesmo dos mais ranzinzas.
Estive viajando e este é o relato desta viagem, uma das melhores que já fiz. É interessante como às vezes tem muito mais coisas legais para ver e fazer numa cidade do interior do Nordeste do que nas grandes capitais. A cidade da qual estou falando é Garanhuns, interior de Pernambuco, durante o Festival de Inverno, que ocorreu entre os dias 20 a 29 de julho de 2006.
Infelizmente não poderei relatar nada sobre as atrações dos dias 20 a 26, simplesmente porque eu ainda não tinha chegado lá, mas não se preocupem da próxima vez registrarei o Festival inteiro, não quero perder nenhum dia. Mas só pra não deixar vocês na curiosidade, digo apenas que rolaram coisas como Nando Cordel, Elba Ramalho, Vanessa da Mata, Nando Reis, Otto e Nação Zumbi (isso, só no palco principal, pense!).
Cheguei dia 27 e, logo de cara adorei a cidade, bem cuidada, arborizada, aquele friozinho que dá vontade de tomar vinho e chocolate quente. A Pousada em que ficamos era péééssima, mas se algo não desse errado não teria graça, não é mesmo?
Mas o que importa mesmo foi o que vimos por lá. As atrações se dividiam em vários palcos em pontos diferentes da cidade. Durante a manhã rolavam atrações regionais no Palco de Cultura Popular, o duro era conseguir acordar no horário pra ver tudo, mas valeu a pena. Maracatu, Reisado, Ciranda, Coco são só alguns exemplos do que ouvimos e dançamos. Destaque para os shows de Selma do Coco, Lia de Itamaracá e Mestre Salustiano.
Depois dos festejos matutinos o negócio era almoçar e dar um jeito de descansar um pouquinho, porque logo mais pelas seis da tarde começava o circuito da Praça Ruber Van Der Linden (gostaram do nome?) onde rolavam as atrações intrumentais. Muito jazz, blues, chorinho, mpb, tudo da melhor qualidade. Palmas para a dupla Duofel que arrasou com seus violões no último dia! O lugar merece um destaque especial. O mais lindo que visitamos, alamedas arborizadas, mesinhas escondidas dentro de pequenos bosques, davam um clima romântico ao local.
A maratona musical continuava no Palco Guadalajara, com direito a uma parada no meio do caminho na Igreja de Santo Antônio. Calma, não íamos participar da missa não! Até a Igreja virou point musical, lá o que reinava era a música erudita, muito boa, por sinal. Continuando nossa caminhada, chegávamos ao Palco Guadalajara, onde vimos Los Hermanos num show inspiradíssimo, que me emocionou muuuito (aliás esses meninos sempre me emocionam, cada vez mais). Mas ainda teve Maria Rita e Barão Vermelho, que também levantaram a galera. Não poderia deixar de mencionar uma banda de Portugal chamada Clã que cantou antes de Los Hermanos e que achei muito boa, quem tiver curiosidade procura encontrar alguma coisa dos caras.
E aí? Estão pensando que acabou? Ledo engano. Depois de tudo isso, ainda tinha o Parque Euclides Dourado, onde os ritmos se misturavam, era forró, pop, ritmos cubanos, além de apresentações circenses e de dança. Onde a galera ficava até o amanhecer, pra começar tudo de novo no outro dia!
Não poderia deixar de falar, ainda, do público do Festival. Gente alegre, dançante, descolada, sem frescuras, a fim de curtir o som, nada daquele clima de pegação que conhecemos tão bem aqui em Salvador, de carinhas bonitas e mentes vazias, nem nada de muvuca e empurra-empurra (a exceção foi o show do Barão, que lotou o Guadalajara, mas mesmo assim, num clima de paz). Conhecemos pessoas legais, interessantes, divertidas, antenadas, dançamos muito, rimos muito, enfim, um Festival que vai ficar pra sempre na memória dessa mente insana que vos fala!!!

Escrito por Carol Passos às 12h33
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

20/07/2006


HOMENS SÃO DE MARTE E MULHERES SÃO DE VÊNUS ?


Não se assustem, não vim aqui tecer considerações sobre este best seller ou sobre as inúmeras diferenças entre os sexos e como é difícil entender os homens. Para não perder o hábito, vim aqui reclamar (já me disseram que faço muitas queixas nesse blog, o que não acho justo, olha o texto aí de baixo, eu elogiei os dois filmes!), afinal, como vovó já dizia “quem não chora não mama”.
Mas pra encurtar o papo (pq já me acusaram também de escrever textos tão longos que espantam até os zumbis!) e não gastar desnecessariamente o tempo precioso dos meus queridos leitores (adoro quando eu digo isso, fico me sentindo muito importante, cheia de leitores...) vamos parar com as digressões e ir direto ao que interessa.
Ao dar uma passadinha numa livraria ontem e ver mais uma vez inúmeros exemplares de livros com títulos como Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus, Porque os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor e similares, sem falar daqueles manuais de comportamento para as mulheres conquistarem um marido, ou namorado, ou fazerem a relação da certo, os quais nem me dou ao trabalho de saber os nomes, comecei a sentir um certo desconforto.
E o desconforto veio do fato de saber que esses livros fazem um tremendo sucesso entre o público feminino (pode até ser que um ou outro homem também os leia, embora eu não conheça nenhum). E comecei a me questionar porque eles vendem tanto? E, principalmente, porque vendem tanto entre as mulheres? Porque são tantos livros e manuais mostrando as mulheres como os homens pensam, quais são as suas necessidades, o que eles querem e como a mulher deve se comportar para evitar discussões e brigas e para conquistar ou manter um relacionamento? Porque essa responsabilidade de se modificar para agradar o sexo oposto parece ser sempre da mulher? Não vejo nenhum manual com regras de como arranjar uma esposa, ou como deixar de ser solteiro!
O que tenho percebido é que mesmo depois de toda a liberação sexual, emancipação feminina e coisa e tal, a maioria das mulheres ainda aceita determinados papéis que lhe são impostos (para as mulheres as coisas do coração, para os homens as coisas práticas), então isso não é assunto para homens, cabe às mulheres a responsabilidade de fazer a relação dar certo. Da mesma forma, as mulheres ainda vêem como sinônimo de realização pessoal ter um marido, filhos e etc.
Mesmo aquelas solteiras que são bem-sucedidas profissionais, inteligentes, independentes, bonitas, paqueradas, com muitos amigos e uma vida agitada e divertida olham com inveja as vitoriosas mães de família, como se fossem seres superiores porque tem um marido (mesmo que a vida delas seja uma merda, cheia de hipocrisia, infidelidade e submissão) enquanto que a outra, coitadinha, não consegue arranjar ninguém, deve ter algo de errado com ela. Eu ainda me impressiono ao ver que as mulheres ao meu redor (pelo menos a maioria) tem como principal meta de vida se casar e, após os 25 anos, entram num estado de ansiedade indescritível por medo de ficar encalhada, de não achar um marido e começam uma busca desenfreada. Elas compram a idéia de sucesso feminino que venderam pra elas. São elas o principal público dos tais livros infames.
Não me entendam mal, não estou aqui querendo dizer que não quero encontrar alguém pra amar e ser amada, ou que não gosto de ter um companheiro ao meu lado, acho que o amor é uma das coisas mais importantes para o ser humano, o que me incomoda é ver como as mulheres colocam isso como a razão da vida delas e arquitetam planos, seguem fórmulas e aceitam manter um homem (qualquer homem, diga-se de passagem) ao seu lado a qualquer custo, mesmo que o preço seja sua individualidade. Ora, se um relacionamento é formado sempre por, no mínimo, duas pessoas, porque não vejo a outra parte se preocupar tanto? Porque não vejo os homens se desesperarem, nem serem olhados com pena ou reprovação, quando chegam aos trinta solteiríssimos? Porque os homens não andam por aí tentando mudar a sua personalidade e o seu comportamento em nome de achar uma esposa? Simples, porque isso não é tarefa deles, o sucesso e realização deles não é medido pelos anos de casado, nem pelos filhos que tem e está mais do que na hora da mulher se valorizar e ser valorizada por outras coisas que conquista na vida também.
Mulheres, vamos nos emancipar de verdade e tirar esse peso de nossas costas, manter um relacionamento é tarefa pra dois e deve ser prazeroso, se não for assim não vale a pena, chega de sermos machistas e aceitarmos essa idéia de que cabe a mulher manter a harmonia no âmbito privado e que, para a mulher manter um companheiro ela tem que se submeter ao que os homens esperam delas (ou o que os manuais dizem que os homens esperam delas).
Não vamos deixar que apaguem os traços da nossa personalidade para agradar ninguém, alguma coisa só tem que ser modificada em nós se nos desagrada e não em função de outro, se você está satisfeita com o jeito que você é mas seu parceiro não está, já parou pra pensar que o problema pode ser dele e que talvez ele também não atenda suas expectativas? Não vamos nos contentar com pouco, nem com qualquer um. Eu também quero um companheiro, mas não qualquer porco chauvinista que não aceite minhas idéias, que não me apóie nos meus planos, que não me conforte, que tenha ciúmes dos meus amigos, que queira me dominar e que esteja o tempo todo competindo comigo, se for assim, é melhor ficar sozinha, nada mais acertado do que o ditado que aprendemos desde criança, “antes só do que mal acompanhada”.
Nem me digam que não existem homens assim, sensíveis, inteligentes, companheiros, maduros e que se eu não mudar ficarei sozinha pro resto da vida, não caio nesse conto da carochinha de fórmula do amor e de que todos os homens são iguais. Caso contrário, eu deveria acreditar também que todas as mulheres são iguais e, definitivamente, a idéia de ser igual às mulheres que lêem esses livros de auto-ajuda sentimental não me atrai nem um pouco (Ih! O texto ficou grande de novo, sorry!).

Escrito por Carol Passos às 15h04
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

14/07/2006


Eu e o Cinema

Albergue Espanhol e Bonecas Russas




A partir de hoje está criado este novíssimo espaço no meu blog. Aviso desde já que não terá nenhuma periodicidade, quando vocês menos esperarem aqui estarei eu, dividindo com vocês a minha humilde opinião sobre os filmes que gosto (e, às vezes, sobre os que não gosto também). Ressalto que não há a mínima pretensão de fazer disto uma coluna de crítica cinematográfica e que as opiniões veiculadas aqui serão estritamente pessoais, baseadas no meu duvidoso gosto para cinema, sem qualquer conteúdo técnico ou acadêmico.
Resolvi inaugurar falando simultaneamente sobre dois filmes que assisti há pouco tempo: Albergue Espanhol e Bonecas Russas. Não poderia ser diferente uma vez que se trata de uma seqüência. Então, falou de um, tem que falar do outro (eu acho...)
Assisti Albergue Espanhol há alguns anos (acho que em 2002), quando estreou nos cinemas, mas, com Bonecas Russas em cartaz, resolvi fazer uma sessão de Vale a Pena Ver de Novo e reviver as primeiras aventuras de Xavier (o ator Romain Duris, que eu acho uma graça!). Devo dizer, inicialmente, que não se trata daquelas seqüências típicas, que só repetem os mesmos truques que deram certo no primeiro filme. Neste caso, trata-se de histórias totalmente independentes, mais ou menos como acontece com O Declínio do Império Americano e As Invasões Bárbaras (guardadas as devidas proporções). Apenas são os mesmos personagens, mais velhos, mais maduros (nem sempre), porém confrontados com outras situações e problemas. A única coisa que perdura é a temática da globalização e da diversidade cultural.
Os dois filmes do diretor Cédric Klapisch, para mim, tem como umas das principais qualidades a originalidade e a leveza, em especial o primeiro, que trata sobre a jornada do francês Xavier em Barcelona, numa temporada de um ano para aprender espanhol. É claro que o que ele menos faz é estudar neste período, se metendo em inúmeras confusões que envolvem, não só ele, mas os seus colegas de “Albergue” – uma comunidade multicultural – , um casal de franceses que ele conhece logo na sua chegada, além da mãe e a namorada que, mesmo ficando na França, ainda o atormentam (não posso contar mais do que isso da trama, senão perde a graça).
O ator Romain Duris está ótimo no papel de um cara desorientado, imaturo, inseguro, confuso... enfim, um típico jovem recém-formado que ainda não tem certeza do que quer da vida. As situações em que ele se mete são, na sua maioria, tragicômicas, mas sem cair no pastelão. A multiplicidade de idiomas e as confusões daí geradas para todos da trama, são verossímeis, engraçadas e inteligentes. O visual psicodélico de Barcelona ajuda a montar o clima de boêmia em que vivem os jovens. Achei o filme delicioso e terminei morrendo de vontade de ir morar num Albergue Espanhol!
O segundo filme, mostra um Xavier já mais velho (passaram-se cinco anos), ainda inseguro, confuso e imaturo em certos aspectos e - muito embora já tendo descoberto o que gosta de fazer - sem conseguir muitos avanços na sua vida profissional (em outras palavras, consegue se manter, mas sem fazer algo que realmente o satisfaça, parece até alguém que conheço...). Tornou-se um personagem mais cínico e egoísta mas que, num determinado momento, percebe o vazio da sua vida e se sente solitário.
Diferente do primeiro, que dá bastante ênfase às experiências vividas pelo grupo, este segundo filme coloca em foco o protagonista e os seus encontros e desencontros amorosos tornando-se uma comédia romântica. Mas embora aposte num gênero já um pouco desgastado, consegue inovar em algumas soluções que dá para a trama, apostando ainda no multiculturalismo, desta vez com Xavier ziguezagueando por alguns países Europeus (França, Inglaterra e Rússia) tentando resolver sua vida amorosa e profissional. Embora não consiga fugir de todos os clichês, nem do clássico happy end, o filme é ágil e se diferencia do já tão conhecido modelo Hollywoodiano, apostando na narrativa múltipla, fragmentada por momentos dentro de momentos (fazendo jus ao título do filme).
Comparando os dois, devo dizer que gostei mais do primeiro, talvez porque eu tenha me identificado mais ou porque eu tenha um pouco de prevenção com as comédias românticas, mas ambos valem a pena ser vistos (e de novo!) principalmente porque retratam pessoas normais, sem brilhantismos, maniqueísmos, histórias trágicas de vida ou falsos moralismos. Simplesmente jovens recém-chegados a idade adulta, ainda atordoados com isto, que querem se divertir, amar, ser amados, fazer amigos e que nesse caminho vão construindo suas próprias identidades (que também podem ser múltiplas, como descobriu o protagonista no primeiro longa) que nunca estão acabadas, porque o diretor tem a competência de não nos oferecer finais felizes peremptórios, categóricos, mas apenas soluções provisórias, que deixam o caminho aberto para um série de novas possibilidades, assim como as Bonecas Russas, sempre uma bonequinha menor dentro da outra sem que se saiba nunca qual vai ser a última e definitiva (se é que ela existe!).


Escrito por Carol Passos às 23h38
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

10/07/2006


MADRUGADA DOS MORTOS



Nada de animação, não estou aqui pra falar sobre o filme de terror, ainda que seja um daqueles que vale a pena ser comentado, mas achei que o título viria bem a calhar para ilustrar a minha madrugada insone à frente do computador em pleno sábado. O mundo virtual está um deserto, totalmente abandonado, não encontro ninguém no msn para compartilhar minhas angústias de notívaga. Momentaneamente, chego a pensar que talvez eu não tenha percebido que a cidade foi atacada por um bando de zumbis e que os sobreviventes estão todos refugiados num shopping (o porque da minha casa ter sido liberada pelos zumbis permanece um mistério...), idéia que quase me anima.
Infelizmente, como esta hipótese, embora encorajadora não é das mais prováveis, tenho que me conformar com a explicação mais prosaica de que devem estar todos se divertindo em algum canto obscuro da cidade, numa orgia de sexo, drogas e rock and roll, enquanto eu me comporto como uma rata de internet que perde suas madrugadas na companhia de uma máquina.
Nada contra os ratos de Internet, mas devo confessar que essa hipótese me causa um pouco de horror (o que novamente nos remete ao título escolhido!!!!), principalmente porque hoje é sábado, porque adoro uma farra, porque sou carolcêntrica (como podem estar todos conseguindo se divertir sem mim???) e porque não conheço outros ratos de Internet que possam conversar comigo nestas horas difíceis (quem mandou ser preconceituosa e não se abrir para conhecer pessoas novas?!). Portanto, como não estou devidamente inserida na comunidade internáutica, cada vez me sinto mais um peixe fora d’água por não ter nenhum programa para o sábado à noite. Se ainda tivesse um vinhozinho aqui em casa eu poderia simular uma fossa e me embriagar ao som de “All by myself”, no melhor estilo Bridget Jones, acho que teria mais glamour.
Mas vocês devem estar se perguntando, porque então eu não fui procurar uma coisa melhor pra fazer, ou, como eu parei aqui na frente desse computador a essa hora da madrugada? Realmente, não posso reclamar muito, eu escolhi a solidão (mea culpa, mea maxima culpa). Mas no começo achei que ia ser fácil, estava cansada, precisando desintoxicar das farras anteriores (minhas olheiras já andam parecidas com as de Benicio Del Toro) e, cá para nós, meio sem grana também. Então, recusei os inúmeros convites para sair (tudo bem, foi apenas um convite...), saquei um belo livro e me preparei para a jornada noturna.
Devo dizer que ainda tive a vantagem de estar passando a reprise do último cápitulo da novela Belíssima (afinal, mesmo que você não tenha acompanhado a trama, ninguém perde as emoções do último capítulo) o que me garantiria algumas horas extras de entretenimento. No entanto, meus planos de uma noite tranqüila de descanso foram por água abaixo.
Comecei lendo o livro, dei uma pausa para a novela, retornei para o dito cujo, mas cheguei na última página sem que o sono tivesse aparecido, estava mais desperta do que nunca e, de repente, passei a ouvir coisas do tipo: “todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite...” e “na madrugada vitrola rolando um blues, tocando B.B. King sem parar...”, era o cúmulo, não havia dúvidas, estava sendo acometida de uma síndrome de abstinência.
Não havia mais o que fazer e nem a quem recorrer e, no meu estágio de ansiedade, seria inútil iniciar qualquer nova leitura. Então optei pela única alternativa viável, a protetora dos insones ansiosos e solitários, a mãe net.
Mas, decepção das decepções, ao invés do ambiente familiar e confortável que eu esperava, me deparei com uma atmosfera hostil e inóspita. A primeira reação foi apenas de confusão, afinal eu recordava de conversas divertidas e agradáveis na frente do computador de madrugada, não entendia o que estava saindo errado. Onde estavam todos? Foi aí que comecei a pensar nos zumbis e nos refugiados do shopping, mas esta parte eu já contei para vocês.
Não precisei demorar muito, no entanto, para solucionar o mistério. Era impressionante como não havia pensado nisso antes. Este não era um dia qualquer, era sábado! Um dia em que as pessoas que conheço não desperdiçariam seu tempo com o mundo virtual. No fundo, eu sentia que as pessoas só começariam a aparecer lá pelas 04:00 da matina quando, ao voltar da farra, viessem dar aquela espiadinha básica. Isto porque, normalmente, eu faço parte dessas pessoas. Essa idéia começou a me dar ainda mais angústia, pois agora eu sabia que, para encontrar alguém por aqui eu teria que esperar, e, considerando que ainda nem são 02:00, a espera seria longa. E enquanto isso? O que fazer enquanto isso?
Trancada no meu quarto, me sentia quase como aquelas princesas de conto de fadas presas em suas torres de marfim (pena que não tinha nenhum príncipe encantado para eu jogar minhas tranças...). Cheguei até a pensar em mandar para o inferno todas as minhas resoluções de boa moça que precisa descansar e sair por aí, mas achei que já devia ser um pouco tarde para começar a ligar para todo mundo sem parecer um pouco desesperada. Melhor seria manter a calma e pensar em outras opções.
Após afugentar os ímpetos suicidas e roer metade das unhas, meu cérebro se iluminou! Não tinha motivos para desanimar, o que eu estava esperando? É verdade que eu tinha insônia e estava em casa de bobeira num sábado, mas é desses momentos de crise que surgem as melhores idéias. E havia idéia melhor que me vingar de todos vocês, falsos internautas, que me deixaram aqui sozinha para se divertir? Que não demonstraram nenhuma consideração e solidariedade ficando em casa para compartilhar esse momento comigo?
Vocês devem estar se perguntando: mas se vingar como? Alguns já devem ter percebido. Enquanto vocês vão lendo estas mal traçadas linhas meu plano está sendo posto em prática. Ainda não perceberam? Esta é a minha vingança! Fazer com que vocês leiam este longo e exaustivo texto infame sobre uma noite vazia onde nada acontece. Por esta, vocês não esperavam! Acharam que eu ia me contentar em passar sozinha por estas agruras? É claro que não podia deixar meus amigos e leitores de fora. Afinal, não basta ser amigo, tem que participar! Mas depois de serem obrigados a ler todos os meus lamentos vocês já devem estar até preferindo que a opção do ataque dos zumbis fosse verdadeira, não é mesmo?


Escrito por Carol Passos às 01h36
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

06/07/2006


TIRINHAS PARA SE DELICIAR
 
MAFALDA
 
"Justo a Mim Me Coube Ser Eu" (Mafalda)

Cumprindo a promessa de fornecer dicas interessantes àqueles que compartilham deste blog (e para deixar vocês descansarem um pouco da minha tagarelice) aí vão alguns links para que os fãs desta garotinha esperta, crítica e perspicaz possam se deliciar com as geniais tirinhas do Quino.
http://clubedamafalda.blogspot.com/
http://patuska.multiply.com/market
http://www.turning-pages.com/mafalda/ http://www.clubcultura.com/clubhumor/quinoweb/index.php?id_news=&lang=es http://usuarios.lycos.es/montes_3/index400.htm

GARFIELD
 
"Me diga, alguma vez já pensou em seguir carreira como barcaça fluvial?" (Balança)

Agora é a vez desse gato gordo, egoísta, egocêntrico, cínico e preguiçoso. Mesmo com esses e muitos outros defeitos o charme de Garfield é simplesmente irresistível. Essa tirinha ao lado é uma raridade. Trata-se da primeira tirinha do Garfield, lançada em 19 de junho de 1978! O desenho naquela época era bem simplório e Garfield era bem mais rechonchudo do que hoje, mas já dá pra notar o seu típico sarcasmo! Hehehe.
 

http://www.garfield.com/
http://www.tirinhas.com/garfield/
http://www.vanschaik.tk/~bas/garfield.php?jaar=1978
http://garfield_mania.sites.uol.com.br/tiragarfield.htm

Para os que tem dons artísticos, um programa para criar tirinhas do Garfield:

http://www.garfield.com/fungames/comiccreator.html

Escrito por Carol Passos às 16h28
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

03/07/2006


QUEM AGUENTA ???

Antes de qualquer coisa, quero asseverar, para aqueles que já me conhecem e para os que nada sabem sobre mim que, eu não gosto de futebol e, mesmo que gostasse, não torço para o Brasil (mesmo que isso cause perplexidade para alguns companheiros, como meu caro Murilo).
Assim, isso explica porque, durante todo este furor de Copa do Mundo me mantive calada sobre este aspecto futebolístico das nossas vidas, tratando de falar de assuntos mais diversificados e deixando os comentários sobre a Copa pra pessoas muito mais abalizadas nessa área (mais uma vez o meu amigo Murilo!)
Devo confessar que, ainda que ache toda essa comoção sem nenhum sentido (sinceramente, não consigo me ver representada por essa seleção de marmanjos que recebem salários astronômicos na Europa, se ainda tivesse algum amigo meu no time...) não reclamo do clima festivo que domina o país nesta época. Adoro uma festa, encontrar os amigos, e pra isto qualquer motivo é válido (ainda mais quando o resto das pessoas fica sem trabalhar, fazendo com que me sinta mais inserida no contexto, rsrsrs)
Mas depois que o Brasil perdeu (e mesmo não podendo me intitular uma entendida no assunto, devo dizer que foi bem merecido!) pensei que toda essa histeria ia acabar e as pessoas voltariam para o mundo real, ledo engano, ficou bem pior. Agora, as pessoas continuam falando o tempo todo de futebol, com a desvantagem que não tem mais nenhuma festa pra ir.
Além disso, é o tempo todo a mesma lenga-lenga, todos tentando encontrar uma razão obscura para a derrota, um bode expiatório, repetições exaustivas dos principais lances do jogo (considerando que foram tão poucos, dá pra imaginar a chatice, ficar revendo sob todos os ângulos um único e solitário gol e mais um monte de passes errados do Brasil...). Enfim, uma conversa de gente que não sabe perder que não acaba mais, um chororô terrível. Quem agüenta ainda essa conversa?
Eu não agüento! E por isso resolvi me render e escrever pra dizer o óbvio: não há nenhuma razão metafísica que justifique a derrota, nem houve nenhuma conspiração da CBF ou coisa parecida, já está em tempo dos brasileiros baixarem o topete e assumirem que mesmo tendo o melhor do mundo (o que significa isso mesmo?) em campo, o Brasil foi um time medíocre desde o início e que mesmo se ganhasse da França (aí eu acreditaria que Deus é brasileiro!), não conseguiria ir além disso.
Então, brasileiros e brasileiras, já está mais do que na hora de realizar (no sentido inglês do termo) e virar o disco, devem existir faixas mais empolgantes do que essa não é? Que tal começarmos a falar sobre as eleições (tudo bem, podem pular essa opção se quiserem)? Ou sobre a última semana da novela Belíssima? Ou sobre a estréia de Superman Returns? Ou sobre o show de Stevie Wonder e Gilberto Gil em salvador? Podem escolher, fiquem à vontade.



Escrito por Carol Passos às 22h39
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

26/06/2006


COMO PASSAR O SÃO JOÃO EM SALVADOR – GUIA PRÁTICO

Este pequeno guia se dirige às almas puras e incautas que, por um motivo ou outro, permanecem em Salvador durante os festejos juninos quando a cidade fica tão deserta quanto uma cidade fantasma do velho oeste. Para garantir que as dicas que passarei aqui realmente funcionam, eu mesma, demonstrando um espírito intrépido e aventureiro, aceitei ser a cobaia desta experiência cujos riscos até então eram incalculáveis.
O primeiro passo para garantir o sucesso da experiência é fazer um levantamento minucioso dos amigos que permanecerão na capital (voluntariamente ou não) pois estes serão de fundamental importância no desenrolar dos acontecimentos, tendo em vista que a finalidade (talvez ainda não tenha ficado suficientemente claro) não é simplesmente sobreviver às ruas desertas e ao tédio dos longos dias plácidos do feriado (o que, por si só, já seria um desafio), mas sim atingir o objetivo bem mais nobre de garantir diversão nestes dias.
Após esta primeira providência preliminar, tendo encontrado pelo menos três pessoas na mesma situação que você, já pode se animar e passar para o segundo passo: organizar a festa junina. Sim, ou vocês acharam que só porque não vamos para o interior não temos o direito de beber licor, dançar forró e comer todas aquelas comidinhas apetitosas? Nada disso, esta é uma experiência de caráter social que pretende garantir as mesmas condições e oportunidades para todos.
Assim, ligue para os amigos restantes, peça pra cada um levar uma bebida (a comida é melhor você comprar, pra não correr o risco de passar a noite com fome, pois está comprovado cientificamente que 99,9% dos convidados das festas jamais esquecem de levar bebida, já comida, bem, basta saber que as estatísticas não são tão animadoras), coloque umas bandeirolas em casa, faça uma seleção de CD’s de forró (caso não tenha nenhum, você também pode pedir para os convidados levarem) e prepare-se para a festa, se puder organize até uma quadrilha. Independente do número de pessoas, com bastante licor e animação, o sucesso da festa será garantido.
No dia seguinte (já estamos no sábado) que, em razão da farra no dia anterior, só começará a partir do meio-dia (e olhe lá!), você já poderá planejar uma programação mais amena, mas não menos divertida. Vá ao cinema, com certeza qualquer pessoa que ainda estiver em Salvador na mesma situação não recusará o convite para lhe acompanhar. Aí, a gama de opções será enorme, você pode escolher se refugiar dentro do Shopping Center - onde encontrará todos os filmes produzidos para as férias de verão norte-americanas - ou preferir o circuito alternativo numa das Salas de Arte.
Bom, neste ponto, devemos ponderar as nossas preferências pessoais, tanto quanto ao estilo de filme quanto ao público. Isto porque se você prefere estar rodeada de pessoas a melhor opção será o Multiplex, onde se concentrará a maioria da população restante na cidade, principalmente a parcela jovem dessa população. Já se você não faz nenhuma questão de se juntar a essa multidão (multidão!?) de desconhecidos, vá com seu amigo ou amiga para uma Sala de Arte, a chance de só vocês dois assistirem ao filme e enorme!
Por amor à ciência eu experimentei as duas opções, mesmo porque, a sugestão para a tarde do último dia seria a mesma, afinal cinema nunca é demais e domingo de tarde não teria mesmo nada melhor pra fazer, mesmo num final de semana normal. Desta forma, pude desfrutar de uma sala de cinema inteirinha no sábado, quando fui à Sala de Arte do Cine XIV, no Pelourinho (com a vantagem de se você quiser ver gente é só dar uma voltinha pelas ruas, onde já começava a movimentação para o São João do Pelô) e no domingo me misturar aos outros sobreviventes, numa sessão matinê de um filme blockbuster.
Com todas essas atividades, não pensem que na noite de sábado não restará nada para fazer. Não faltarão opções de diversão (tudo bem, não são tantas assim, mas já dá pro gasto, não podemos ser muito exigentes). Por exemplo, um repeteco da festa junina será sempre bem vindo entre seus amigos sedentos de forró e de um clima mais interiorano, pra variar vocês podem mudar o local da festa (a casa de outra pessoa) e agregar novos elementos (que tal fogos de artifício dessa vez?).
Mas se você já está de saco cheio de dançar quadrilha aqui vai uma opção alternativa bastante promissora: procure os seus amigos gays (você deve ter um pelo menos) eles te levarão para a balada. Não, eu não estou perdendo o juízo depois de todos esses dias em Salvador, é a mais pura verdade, durante o São João você poderá encontrar baladas animadas na cidade se seguir os seus amigos gays. Eu explico, empiricamente constatei que grande parte do público homossexual (pelo menos o masculino, e com exceções, óbvio!) não é fã de festa junina nem de São João e continuam aqui se divertindo nas boites como em qualquer outro fim de semana. Então se o seu objetivo é chacoalhar na pista de dança siga seus amigos sem medo e não irá se arrepender (e, para minha felicidade, não estava nem tocando bate-estaca, não chegava a ser disco music também, mas...).
Noite de domingo (lembrem-se que à tarde fui ao cinema e as manhãs servem pra dormir!), fim da experiência, sucesso total. Diversão garantida para todos que seguirem as sugestões de programação contidas neste singelo guia. Ninguém mais precisará se desesperar com a ameaça de ficar em Salvador no São João, eu, por exemplo, gostei tanto da experiência que estou pensando em fazer disto uma tradição e reunir cada vez mais adeptos. Se pensarmos bem, são inúmeras as vantagens, nada de viagens longas, engarrafamento, hospedagens desconfortáveis, despesas desnecessárias... Viram? Bom mesmo é ficar aqui na capital, aproveitando todas as vantagens de uma cidade quase deserta!!!


Escrito por Carol Passos às 15h51
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

22/06/2006


PRA QUEM APRECIA FOTOGRAFIA



Recebi estes links por e-mail (valeu pelas dicas Bernard!) e resolvi compartilhar com vocês que visitam este blog. São sites de fotografia muito interessantes. Vale a pena conferir:

http://www.pixelpress.org/chernobyl/
http://www.erwinolaf.com/Pages/PP_Frms.htm
http://www.zenaholloway.com/gallery.php?no=1&ID=10

Escrito por Carol Passos às 15h22
[ ] [ envie esta mensagem ] [ ]

Perfil



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, SALVADOR, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, English, Cinema e vídeo, Livros, Música
MSN - carolpc_ba@hotmail.com

Histórico